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Informativo Técnico Biogénesis Bagó

Por CriaLG em 24 de Novembro de 2014

Vacinação estratégica contra Diarreia Viral Bovina (BVD), Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR) e Leptospirose melhora a taxa de prenhes em protocolos de IATF em vacas de corte da raça Nelore.

Resumo: Foram utilizadas 1172 vacas Nelore recém-paridas provenientes de quatro fazendas localizadas no estado do Mato Grosso do Sul durante a estação de monta 2013/2014. Os animais foram distribuídos em dois grupos de tratamento manejados dentro dos mesmos lotes de IATF, o primeiro grupo recebeu os manejos vacinais contra as enfermidades Rinotraqueíte Infeciosa Bovina (IBR), Diarreia Viral Bovina (BVD) e leptospirose, e o segundo grupo não recebeu vacinas e foi considerado como grupo controle. Os animais vacinados tiveram taxa de prenhez na IATF de 58,2% comparado com 44,7% do grupo de controle. Exame de sangue de parte das fêmeas confirmou a presença dos agentes em alta porcentagem, reforçando levantamentos sorológicos em maior escala que demonstram a alta prevalência nos rebanhos brasileiros.

Introdução: A pecuária de corte brasileira é um dos pilares do agronegócio. Estima-se que em 10 anos o Brasil deverá aumentar a produção atual de carne em cerca de 43% para atender a crescente demanda interna e externa de proteína bovina (CONAB, 2014; IBGE, 2006; MAPA, 2014). O aumento na produção de carne é resultado de uma série de fatores relacionados a manejo, nutrição, reprodução e sanidade, sendo a reprodução identificada como um dos mais importantes fatores associados com a rentabilidade da pecuária bovina, afetando diretamente os níveis de produtividade de um rebanho (Radostits, 2001). Atualmente, o Brasil conta com índices zootécnicos muito inferiores quando comparados aos principais países produtores de carne no mundo, a cada 100 vacas aptas a reprodução apenas cerca de 52 bezerros são desmamados, representando quase metade da produção potencial existente. Isto é consequência de uma série de ineficiências desde baixas taxas de prenhez média, girando em torno de 65%, altas perda gestacional em torno de 5% e altas taxas de mortalidade do nascimento até a desmama, chegando a 8% (Zimmer e Euclides Filho, 1997; Anualpec, 2009; Ferraz e Felício, 2010).

Dentro deste cenário, novas tecnologias como a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) tem ganhado cada vez mais importância dentro da atividade de cria. Dentre os inúmeros benefícios associados a IATF estão o aumento da quantidade de animais em serviço, a introdução de genética superior, o aumento, a antecipação e a programação da prenhez, e a redução de mão-de-obra. Estima-se que em 2013 cerca de 8,75 milhões de fêmeas foram sincronizadas em IATF correspondendo a cerca de 12% do rebanho de fêmeas existentes no Brasil (Baruselli et. at., 2014). No entanto, nem todo animal diagnosticado prenhe dentro da estação reprodutiva necessariamente irá produzir um bezerro. Estudos demonstram perdas gestacionais em gado de corte em torno de 6,4% do diagnóstico de gestação ao nascimento, sendo que existem inúmeras perdas anteriores ao diagnóstico de gestação que são na maioria das vezes subavaliadas (Alfieri et. al., 2010). Grande parte destas perdas tem sido associada a enfermidades como a Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), Diarreia Viral Bovina (BVD) e a Leptospirose. Um levantamento com mais de 55 mil amostras realizado desde 2001 pela Biogenesis Bagó demonstrou que a prevalência destas enfermidades em bovinos de corte e leite é alta e está presente em diferentes regiões do Brasil (tabela 1).

Diante destes dados, estratégias visando minimizar as perdas reprodutivas têm sido adotadas, sendo os programas vacinais os mais utilizados atualmente. Com o objetivo de fortalecer este conceito, recentemente a empresa Biogénesis Bagó realizou um estudo correlacionando os impactos negativos desses agentes em vacas Nelore recém-paridas submetidas a IATF. Este estudo foi realizado em quatro fazendas do Mato Grosso do Sul (Tabela 2) que já trabalhavam com protocolos de IATF, porém ainda sem nenhum programa vacinal estabelecido.

O experimento: O objetivo do experimento foi avaliar o efeito do uso das vacinas BIOABORTOGEN H® e BIOLEPTOGEN® (Biogénesis Bagó) na taxa de prenhez em vacas Nelore recém-paridas destinadas a IATF. Amostras de sangue para levantamento sorológico de anticorpos contra as enfermidades IBR, BVD e Leptospirose foram coletadas em 3,9% (n=46) dos animais no momento do início do protocolo de IATF (D0) com o objetivo de estimar a presença dos agentes nas vacas do experimento. Dos animais coletados para avaliação apresentaram títulos de anticorpos contra BVD, IBR e Leptospirose, respectivamente 78,3%, 95,6% e 10,9% das amostras, demonstrando uma grande correlação com os levantamentos realizados anteriormente para estes agentes.

Todos os animais foram submetidos a protocolos de IATF de 3 manejos recebendo no dia de inicio do protocolo (D0) um dispositivo intravaginal de progesterona (Cronipres Mono Dose, Biogénesis Bagó) e a aplicação de 2 mg de benzoato de estradiol (Bioestrogen, Biogénesis Bagó). No D8 foi realizada a remoção do dispositivo intravaginal de progesterona, animais receberam 1 g de cipionato de estradiol (E.C.P, Zoetis) e 25 mg D- cloprostenol sódico (Croniben, Biogénesis Bagó), o procedimento de IATF foi realizado após 48 horas do último manejo (D10). Animais foram aleatoriamente divididos em dois grupos, vacinados com BIOABORTOGEN H® e BIOLEPTOGEN® e controle (não vacinados), e tratados dentro do mesmo lote aleatoriamente recebendo a primeira dose no D0 e a segunda dose no D40 junto com o diagnóstico de gestação realizado com ultrason (Figura 1). A dose e o reforço são recomendados apenas para animais primovacinados (que estão recebendo a vacina pela primeira vez). É importante mencionar que os dias de aplicação das vacinas neste experimento foram realizados no D0 e D40 para aproveitar os manejos de IATF realizados na fazenda, porém idealmente recomenda-se vacinar os animais com a primeira dose pelo menos 21 dias antes do inicio do protocolo de IATF sendo a segunda dose realizada no D0.

Os animais que receberam vacina apresentaram uma taxa de prenhez maior (58.21%; 340/584) comparado com o grupo controle que não recebeu vacinação (44.73%; 263/588; P < 0.0001; Figura 2). Não houve diferença estatística quando avaliada a prenhez por outras variáveis como touros, inseminadores, fazendas e categoria animal (P > 0,1).

Conclusão e Discussões: As enfermidades IBR, BVD e leptospirose têm sido amplamente estudadas e seu reflexo na produtividade tem demonstrado grandes prejuízos econômicos em sistemas de produção de corte e leite. Uma das inúmeras manifestações destas enfermidades está na forma reprodutiva como reabsorção embrionária, abortos, nascimento de bezerros frascos ou natimorto, impactando assim quantidade de bezerros nascidos. Grande parte destas perdas tem sido associada a perdas subclínicas que muitas vezes não são observadas, gerando ao pecuarista a falsa impressão destas enfermidades não representarem impactos econômicos ou não estarem presentes na sua realidade.

Neste trabalho, realizado em fazendas comerciais retratando uma realidade muito próxima às encontradas em outras regiões do Brasil, observamos que aos 30 dias de gestação as vacas que foram vacinadas tiveram 13,5% a mais de prenhez. Esta diferença deve-se somente as perdas que ocorrem durante os 30 primeiros dias de gestação, relatos de literatura demonstram que as perdas do dia 30 até o final da gestação estão presentes e provavelmente neste trabalho esta diferença aumente até o final da gestação. Um fator importante que devemos levar em consideração é que a técnica de IATF pode estar predispondo a transmissão destas enfermidades que já estão presentes, principalmente pelos inúmeros eventos de estresse causados aos animais como, por exemplo, os vários manejos de curral que podem estar causando uma queda de imunidade, além disto, aglomerar os animais pode aumentar o contato direto entre eles e propiciar a transmissão destas enfermidades. A mensagem que devemos deixar não é de parar de sincronizar vacas em IATF, pelo contrario, sabemos dos inúmeros benefícios da técnica e que é um caminho sem volta para o Brasil, mas sim é entender que com a intensificação dos sistemas de produção devemos contornar alguns obstáculos que possam surgir, é pensar que um pacote de tecnologia para funcionar deve ser levado em considerações todos os detalhes.

Por fim, se quisermos aumentar a quantidade de carne produzida dentro da atividade de pecuária ou tronar nosso sistema de produção mais lucrativo devemos nos preocupar não somente em melhorar os índices de prenhez, mas também garantir que estas prenhezes sejam mantidas até o final da gestação. Além disto, cuidados como a cura correta do umbigo, manejo correto de maternidade e os cuidados corretos com sanidade, como por exemplo, a realização do manejo correto de vacinação contra as clostridioses, são extremamente importantes para minimizar as perdas do nascimento até a desmama.

Agradecimentos: Este trabalho só foi possível devido ao apoio dos veterinários envolvidos Gabriel Jorge (CriaLG), Rodrigo Bussmann, Marcel Bussman, dos colaboradores das fazendas Piray, Água Azul, Segredo e São Geraldo, dos veterinários da Biogénesis Bagó Wilson Vasconcelos, Nilson Yoshii e Vinícius Tadano, da parceria com o veterinário Fabrício Torres do Laboratório Axys (Porto Alegre/RS) e especialistas em reprodução animal da Universidade de São Paulo (USP) Milton Maturana e prof. Ed Hoffmann.

Autores do texto:

MSc. Lucas Souto

Médico Veterinário UNESP-Botucatu

Mestre em Fisiologia da Reprodução – The Ohio State University (EUA)

Gerente Técnico e de Produto Biogénesis Bagó.

MSc. Guilherme Pizzo.

Médico Veterinário Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG)

Mestre em Biologia e Biotecnologia da Reprodução – Universidad de Murcia (ES)

Coordenador de Serviços Técnicos Biogénesis Bagó.

Referencias Bibliográficas: ANUALPEC 2009. FNP. Consultoria e Comércio. Anuário da Pecuária Brasileira – Anualpec 2009. São Paulo, Ed. Argos Comunicação. 360p. 2009

BARUSELLI, P.S; MARQUES, M.O; JÚNIOR, M.R; SILVA, R.C.P; VIEIRA, L.M; SÁ FILHO, M.F. 2014. Como otimizar a eficiência reprodutiva de programas de inseminação artificial e de transferência de embriões em bovinos: Reprodução de precisão. 6º Simpósio Internacional de Reprodução aplicada. Londrina, PR. Anais Pg76.

CONAB. Indicadores da Agropecuária: Quadro de Suprimentos. Disponível em http://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=1470&t=2 Acesso em março de 2014.

FERRAZ, J.B.S.; FELÍCIO, P.E.de. Production systems – An example from Brazil. Meat Science v.84 p.238–243, 2010

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RADOSTITS, O. M. HERD HEALTH Food Animal Production Medicine. 3ª ed. Philadelphia: W. B. Saunders Company, 2001.

ZIMMER, A.H.; EUCLIDES FILHO, K. As pastagens e a pecuária de corte brasileira. In: Gomide, J.A. (ed.). Simpósio internacional sobre produção animal em pastejo, 1, 1997, Viçosa. Anais... Viçosa: UFV-DZO, 1997. p.349-79.

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